Emojis e a comunicação: uma revolução na linguagem escrita

A origem exata da comunicação humana sempre foi uma grande incógnita para os cientistas especialistas. Porém, por mais que não consigamos precisar sua data de seu nascimento, entendemos que mais que uma origem, a comunicação sofre constantemente um processo de evolução.

A ciência linguística nos apresenta a evolução da comunicação desde os gestos e rabiscos até a linguagem falada, prensas e internet. E como toda a evolução, a busca pela eficiência é evidente.

A comunicação humana vem ficando a cada década mais eficiente, e junto a esse processo, introduzindo um poder de síntese a si mesma. E através desses processos, notou-se um poder evidente de mudança da sociedade através dos anos. Ainda mais com a comunicação sendo cada mais minimalista, e portanto eficiente e conectada.

Isso trás um poder nunca visto antes da internet, de propagação e eficiência, uma importante mistura perfeita que cria uma importante arma para a sociedade usar de acordo com sua ética.

A partir dos anos 2000, com a massificação e popularização da internet no Brasil e no mundo, os sites estáticos, que antes eram apenas depositório de arquivo, foram perdendo espaço para as redes sociais.

O que antes era acessado apenas para leitura, se transformou na web 2.0, onde a interação entre o usuário passou a ser chave nos meios digitais.

Atualmente os usuários de internet têm gastado cada vez mais tempo interagindo com outras pessoas via redes sociais. Segundo o ComScore, os usuários do Facebook gastam em média 405 minutos por mês na rede. O Brasil sempre se demonstra um dos povos mais adeptos das redes sociais no mundo. Segundo a pesquisa “Futuro Digital em Foco BGrasil 2015”, os internautas brasileiros passam, em média, 9,2 horas por mês nas plataformas sociais. Além disso, o país é campeão no consumo de social media, seguido por Filipinas, Tailândia, Colômbia e Peru.

O início oficial da comunicação na internet se deu no ano de 1971 com o envio do primeiro e-mail entre dois computadores. Porém o termo “rede social” começou a fazer mais sentido em 1985 quando a empresa pioneira no ramo America On-line (AOL), criou um sistema que permitia que as pessoas criassem perfis virtuais e descrições de si mesmas na internet, além da interação entre comunidades. Após alguns anos, em 1997, a mesma empresa criou um sistema de mensagens que pode ser considerado o antecessor do Whatsapp ou Facebook Messenger.

Em 2000 com a popularização da internet, como relatado anteriormente, surgiram serviços mais populares e conhecidos, devido ao aumento significativo de usuários na rede. Foi o início do Fotolog em 2002 que era uma rede social baseada na publicação de fotos e frases como legendas, sobre os sentimentos ou emoções. E depois, o Friendster, considerado por muitos a verdadeira primeira rede social, por permitir que se tivesse espelhado no mundo virtual as amizades do mundo real, através da conexão entre os perfis de usuários. Essa ferramenta chegou a atingir três milhões de adeptos em três meses, um feito para a época.

Em seguida, ao longo de 2003, foram lançadas redes sociais presentes até hoje no mundo virtual, como o LinkedIn, voltado para relacionamentos profissionais e o MySpace, que já não existe mais, que no princípio se parecia com o Friendster, mas depois se transformou numa rede social para músicos e bandas.

Apesar de todos os avanços desde 1971, o ano de 2004 pode ser considerado o ano de maior mudança nas redes sociais. Nesse ano, foram criados o Flickr, o Orkut e o Facebook, criado em 2004, dentro da Universidade de Harvard, que começou a fazer sucesso em 2006, e é a maior rede social existente até hoje.

Junto com o avanço das redes, surgiu a necessidade de se unificar a comunicação, mas essa necessidade não é nova. No ano de 1887, um médico chamado Ludwik Lejzer Zamenhof criou o princípio da língua Esperanto. O objetivo foi criar uma forma de comunicação universal, que não substitua as linguagens pré-existentes localmnente, mas que difunda a comunicação entre a populações locais com outras remotas. Isso facilitaria desde viagens de turismo, negócios até relacionamentos entre pessoas de diferentes nacionalidades. Não houve a intenção de eliminar outras línguas, sendo que foi inclusive provado que o Esperanto auxilia na aprendizagem dos demais idiomas.

Mas o advento do Esperanto não bastou para a internet. Os emojis (palavra japonesa, formada por “e” – imagem e “moji” – personagem) foram criados década de 90 para suprir essa lacuna. Shigetaka Kurita é considerado o criador dos Emojis, Kurita trabalhava na maior empresa de telefonia de celular do Japão na época, a NTT DoComo. Nesta empresa, o japonês criou o que pode ser chamado de primeiro emoji da história.

Na época em que os pagers eram a grande moda entre os adolescentes do Japão, Kurita criou junto à empresa um símbolo de coração, para dar mais emoção às mensagens. O símbolo foi um sucesso junto aos consumidores, porém, logo depois a ideia foi descartada pois a empresa começou um alinhamento mais forte com executivos e os pagers se tornaram um produto mais corporativo, dando fim ao símbolo de coração.

Anos depois, em 1998, o japonês criador dos Emojis foi à São Francisco para ver de perto o lançamento do PocketNet da empresa AT&T, considerado o primeiro smartphone (celular com internet) do mundo. O celular tinha funções inovadoras, como a previsão do tempo, acesso a e-mails e etc. Porém, o display era donimado por textos. Foi quando Kurita se lembrou do coração criado por ele para a DoComo. Ele então se reuniu com sua equipe e criou um conjunto de 176 imagens de 12×12 pixels que poderia expressar todas as emoções humanas.

A maior parte dos símbolos Emojis é auto-explicativa, mas há algumas que parecem não fazer sentido algum. Isso para nós e não para japoneses, já que muitos dos ícones têm relação direta com a cultura do país. O pedaço de cocô, por exemplo, é bastante usado por nós quando queremos indicar reprovação a algo comentado ou postado. Mas ele não está rindo à toa: no Japão ele significa boa sorte.

É por isso que há tantos símbolos de comida japonesa, como o de camarão frito e o de sushi. Também fazem parte dos elementos nipônicos os “hotéis do amor” (o que seria correspondente ao nosso motel, muito popularizados no país), o duende japonês e as bonecas japonesas.

Todos eles estão na lista do Consórcio Unicode, que é uma organização mundial que padroniza a codificação, representação e manipulação de texto através de sistemas de escrita digitais. A instituição recentemente adicionou 250 emojis novos, causando furor principalmente pelos aguardados “dedo do meio estendido” e o “vida longa e próspera” de Star Trek.

A Apple, empresa norte americana líder na venda mundial de smartphones, é a principal responsável pela disseminação dos emojis fora do Japão. Por lá, os símbolos já eram extremamente populares quando foi lançado o primeiro iPhone, que não tinha emojis. Isso causou rejeição no mercado local, fazendo com que a Apple adicionasse os caracteres na segunda versão do sistema operacional.

Porém, foi apenas a partir da atualização do sistema para o iOS 4 que eles se tornaram disponíveis para todos os usuários mundiais, que imediatamente adotaram o recurso. A fama chamou atenção de Google e Microsoft, que adotaram os emojis em seus respectivos sistemas operacionais, Android e Windows Phone.

Para meu trabalho, realizei um experimento com 20 pessoas. Elas aderiram a um grupo na rede social de mensagens instantâneas Whatsapp, e nesse grupo por três dias, só podiam se comunicar via emojis, sem poder escrever uma palavra sequer. Essa pesquisa encontra-se nos apêndices deste trabalho.

Como não podiam utilizar a linguagem escrita, algumas pessoas entendiam de maneira diferente os emojis e o significado das frases variavam.

Isso mostrou que a comunicação por emojis, apesar de ser codificada mundialmente, ainda possui múltiplas interpretações. Porém, isso também ocorre com as línguas tradicionais, o que chamamos de ruído de comunicação.

Ruídos na comunicação são quaisquer elementos que interfiram no processo da transmissão de uma mensagem entre um emissor e um receptor. Eles podem ser resultados de elementos internos e externos.

No caso dos emojis eles provocam ruídos pela possibilidade de dupla interpretação, que ocorrem quando ouvimos uma mensagem que possui um significado diferente e subjetivo para cada pessoa.

Mas, além dessas novas formas de comunicação, talvez um dos pontos mais importantes dessa nova revolução seja a reorganização dos hábitos de socialização que a Internet proporciona. A análise da Internet como ferramenta modificadora das relações sociais é evidente. Não há interação física, nem proximidade geográfica. Isso faz com que se criem comunidades virtuais inteiramente estruturadas apenas em um aspecto, o interesse em comum de seus membros e a comunicação entre eles.

O torna a internet numa nova forma de estabelecer laços sociais, de reunir pessoas sob a forma de uma comunidade. Essa modificação é muito importante pois derruba o paradigma geográfico das comunidades locais, constituídas apenas pela proximidade geográfica, graças à reconfiguração do espaço proporcionada pelo mundo digital.

Isso coloca os emojis no papel central da nova comunicação digital, que possibilita uma linguagem universal para as essas comunidades digitais e um avanço muito grande na comunicação humana.

O próximo passo da comunicação na internet, e consequentemente nas redes sociais, é a sua expansão. A tecnologia já está disponível e possui uma inteligência muito grande, o paradigma a se quebrar agora será de conquistar aumento na base de computadores conectados.

Segundo o próprio Facebook (dono do Whatsapp e maior difusor dos Emojis), a rede social atingiu a marca de um bilhão de usuários no ano de 2015, ou seja, uma em cada sete pessoas no mundo possui conta no site. Apesar desse número ter sido apresentado com grande entusiasmo, há ainda muito espaço para crescimento. A maior parte da população mundial não possui acesso à internet, e com isso, não possui as ferramentas de comunicação que dão mais poder ao ser humano contemporâneo. Portanto, o maior desafio não é o da comunicação no mundo digital, e sim o da expansão e democratização da rede mundialmente.

NÓISVAIfobia

Ouvir pessoas falando e escrevendo o português erroneamente me incomoda, por isso sempre que tenho intimidade corrijo-as. Mas o que me irrita mais que português pobre são pessoas que pregam o ódio contra quem não sabe falar corretamente, ignorando que nem todos nesse país têm acesso a uma boa educação.

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Podemos vender a felicidade?

(Texto originalmente publicado em www.marketingblog.com.br)

Olá leitores, esse é meu primeiro post e espero que seja o primeiro de muitos. Nele falarei um pouco sobre a relação entre dinheiro/felicidade. Apelar para o lado emocional sempre foi um meio muito utilizado na publicidade, e de certa forma com resultados positivos. A felicidade é objeto de desejo de quase todos os seres-humanos, e ela pode estar em um momento, uma pessoa, e por que não em um produto?
Em entrevista para o Marketing Blog,  Harumi Okayama explica um pouco mais sobre a busca do ser-humano pela felicidade.

“A busca do ser humano pela felicidade sempre existiu, e se intensificou na pós-modernidade. O imediatismo, característica marcante do período em que vivemos, também se reflete nesta busca pela felicidade. A felicidade tem que ser rápida, imediata, e facilmente substituída quando terminada.

Este espaço vazio deixado pela intolerância ao sofrimento passa a ser ocupado pelo mercado e pela publicidade, que busca ocupar essa lacuna.No entanto, o que é oferecido por estes produtos não é suficiente para suprir o vazio do sofrimento inerente à existência humana, implicando em um círculo vicioso de insatisfação – consumo – satisfação – insatisfação. A insatisfação se faz presente porque o consumo é incapaz de prover a felicidade eterna e completa que o ser humano almeja.”

O marketing por princípio tem como objetivo suprir necessidades, então se o consumidor deseja ser feliz, porque não vendê-la?Mas parece que isso se banalizou no mercado publicitário onde há a tentativa de vendê-la em móveis, alimentos, e até engarrafada. Será que a alegria está apenas em um sorriso ou pode estar em bens materiais,como um livro de auto-ajuda, um produto ou uma marca? Em vez de te dar uma resposta pronta, vou deixar que você forme a sua resposta.

Pensando amplamente sobre um produto e o momento em que ele é consumido ou adquirido, podemos compreender o sentimento envolvido nesses atos e dizer que ao comprar um produto consequentemente, estamos procurando neles momentos bons e sentimentos. Essa associação da marca com bons sentimentos e experiências, é o objetivo de qualquer empresa, mas será que o dinheiro compra essa tal felicidade?

Essa resposta deixo que você construa, e para finalizar lhe dou alguns exemplos de como acontece essa venda da felicidade.

O blog Erros do marketing selecionou algumas empresas que quase na mesma época embutiram em seu slogan a palavra feliz.(clique aqui para ver o artigo)

A campanha “abra a felicidade” da Coca-Cola Brasil contou com produção de jingle-hit com Pitty, MV Bill e Di-Ferrero, associando o ato de abrir a garrafa com o libertar de um sentimento.Ótimo exemplo do tema.

Agradecimentos: Harumi Hokayama contato: hokayama@gmail.com

Gabriel Derisio

Marketing de Ideologia

(Texto originalmente publicado em www.marketingblog.com.br)

Olá Galera do blog.

Como temos bastante visibilidade e alta qualidade de público leitor, hoje não comentarei nenhuma campanha nem mesmo um case de sucesso. Hoje vou usar esse espaço para fazer uma reflexão sobre uma publicidade que quer nos convencer de algo que precisa ser duvidado. Algo que a gente esquece de se questionar.

Estamos acompanhando cenas na TV, jornal e internet da guerra urbana no Rio de Janeiro, mas poucos fazem uma análise do que há por trás dessa guerra, afinal, a gente só enxerga o que quer. Apontar o dedo para a TV e dizer que aquele bandido tem que morrer ou que o certo é derrubar a favela é o jeito mais cômodo de julgar a situação. Mas apontar culpados sem analisar os motivos não é o mais correto.

Um show foi montado e o palco é a favela. A organização e o patrocínio ficou por conta do governo. Os coadjuvantes, os moradores de uma comunidade pobre. Os protagonistas, policiais fazendo justiça contra bandidos fora da lei. A pirotecnia ficou por conta das balas arranhando o céu, e como num filme, há câmeras para todos os lados. Nesse espetáculo não faltam heróis ou bandidos. O herói se veste com farda e anda de carro blindado.O bandido, de chinelo, é acuado em seu covil do mal.O começo e o meio todo mundo já sabe e já viu, mas será que esse filme tem um fim?

Esse lado negro da força, os traficantes, são moradores junto de trabalhadores e crianças de um local com condições inferiores de moradia e civilidade chamado favela. Alguns desses moradores decidem virar de uma hora pra outra bandidos,mas será que é  tão rápido assim?

A sociedade não admite lacunas ou espaços vazios.Onde falta o estado, o bandido comanda, e consequentemente o tráfico vira o estado.A favela, que é seu território,passa o comando para o traficante.O novo governante, proporciona uma dignidade que nunca subiu o morro.Asfalta rua, faz gato pra levar internet e dá cesta básica para quem tem necessidade.Tudo funciona bem até que chegam os homens da lei e pela primeira vez fazem esse tal estado chegar na favela. Expulsam o tráfico e seus comandantes, e novamente deixam um espaço vazio até tudo ter seu recomeço.

O traficante é o inimigo número um da sociedade atual, mas o real inimigo é o  indivíduo que sustenta esse comércio. O traficante é um instrumento da diversão desse indivíduo que quer ter um “barato” para esquecer dos seus problemas. Esses traficantes matam e são criminosos sim, mas a melhor maneira de resolver essa situação não é simplesmente eliminá-los. Vamos prender os criminosos mas vamos plantar condições dignas para essa população para que não germinem novos “bandidos” da sociedade com armas e armaduras contra o estado. Vamos também oferecer condição de tratamento para quem vai buscar sua felicidade em formato de pó e erva no morro. Não estou aqui para criticar a polícia nem nenhum órgão ou pessoa, e sim, criticar o pensamento que está influenciando quem apóia nessa ideologia de governo.

Com essa guerra nas ruas, o clima de show, e ainda um filme nos cinemas que acaba por idealizar um clichê de policial que faz justiça matando, eu te pergunto: isso não é um marketing para vender ideologia?

Vamos construir casas no lugar dos barracos e escolas onde antes haviam armas, porque somente duvidando de nossas crenças e paradigmas vamos vencer essa batalha e criar cidadãos conscientes na favela e no asfalto

Gabriel Derisio